Empreendedorismo e expansão de franquia com Rafael Soares, da Oven Pizza

Empreendedorismo e expansão de franquia com Rafael Soares, da Oven Pizza

Com 25 lojas espalhadas pelo Brasil, o fundador da franquia conta os altos e baixos que desencadearam no crescimento de sua marca de casual food de pizza.

Rafael Soares, de 34 anos, depois de se formar em Business Administration, na Carson-Newman University e trabalhar como executivo nos Estados Unidos, decidiu voltar para o Brasil e empreender. Com o conhecimento adquirido, fundou e hoje é CEO da Oven Pizza, a franquia de casual food que já está em shoppings de todo Brasil e agora está abrindo novas oportunidades com lojas nas ruas.

Em entrevista para a Bcredi, o empresário conta sobre a sua carreira e como é passar pelo que ele chama de “montanha-russa” que é empreender. Confira a entrevista completa e inspire-se com as dicas de carreira, a história da Oven e o universo das franquias:

Você é formado fora do Brasil. Qual a contribuição disso para sua carreira?

Eu acho que a diferença de você estudar fora é a abertura ao mundo: existe uma exposição mais global para networking, amigos e também de cultura. Nos Estados Unidos, você está na ponta da inovação. Tudo é replicado pra cá, desde o lançamento de um iPhone até o crescimento de uma rede de lojas de varejo. Então, você acaba estando na ponta, antenado sobre qualquer tipo de mudança, inovação ou comportamento e isso, consequentemente, gera oportunidades.

Quais os caminhos que te levaram a querer ter seu próprio negócio?

A Oven é o meu segundo negócio. Para mim, o “empreender” é uma sensação de conquista, de fazer algo do seu jeito e ter reconhecimento. Eu voltei dos EUA com um plano de negócio, já queria o executar. Foi difícil abdicar de uma carreira de executivo, com boa remuneração, ainda jovem e morando no Hawai, mas eu queria voltar porque eu sou daqui e lá eu sempre seria um estrangeiro. Galgar essas oportunidades lá é mais difícil, aqui é mais difícil de concretizar, mas quando se tem um nível de relacionamento, sendo daqui, você conhece os caminhos e pessoas.

Seu primeiro negócio foi a Youguland, certo? Quais seus principais aprendizados nessa primeira experiência?

A Youguland foi o primeiro grande projeto que eu criei. Foi uma ascensão e uma queda muita rápida assim – o ciclo todo demorou entre três a quatro anos, abriu um monte de loja e depois fecharam, ia muito bem e depois começou a baixar o consumo. Eu diria que foi um MBA próprio de varejo, de como lidar com momentos de ascensão meteórica e resolver problemas. Porque o bom empresário é craque em resolver problema, né? Ter que administrar um negócio que vinha e uma queda e conseguir sair disso de uma forma honesta, justa e transparente e conseguir se reerguer. Mas, é muito difícil você ver o negócio que você criou, desenvolveu e trabalhou muito e ter consciência de que o negócio está morrendo, é hora do plano B.

E você tinha um plano B já?

Não, eu tinha uns 40 planos B desenhados, mas você nunca sabe o que vai fazer, né? Você vai viajar, vai pesquisar, pensa naquilo que te faz bem, o que cabe no seu bolso e as formas de executar para ter as chances de ser mais assertivo.

Você acha que existem características específicas que um empreendedor precisa ter?

Acho que para empreender, temos que lembrar daquela palavra que sempre falam: resiliência. Eu vou escrever um livro que vai se chamar “The Roller Coaster”, que é montanha-russa, e essa é bem a história da resiliência. Você constantemente tem altos e baixos, eu vivi sempre assim. Você vai ter muito problema inesperado, que no planejamento você não considera, temos vários problemas econômicos, políticos que afetam todo mundo e também o planejamento que você fez e era palpável. Na hora de concretizar, ele muda completamente e você se vê numa saia justa: “e agora, o que eu faço? Fico nas cobertas dentro de casa, mudo de país ou encaro e vou tentar resolver?”. É isso o tempo inteiro, com pressão financeira, de resultados e pessoas por trás. Tem que acreditar, mas também tem que ser objetivo com coerência e pé no chão.

A história da Oven Pizza

Como a ideia da Oven se formou e se concretizou?

Na verdade, eu tive a ideia quando o negócio da Yoguland estava caindo. Fui fazer viagem para os Estados Unidos, para a China e eu já tinha uma certa ideia. Sabia que existia uma rede internacional que tinha um serviço similar e fui visitar para tentar entender o processo para pensar em como fazer isso de uma forma local, “brasileirar”. Pizza é pizza, nunca sai de moda, mas existem muitos modelos para a maneira de vender, como focado em delivery, em pedaço, restaurante chique ou um boteco. Eu precisei entender qual fazia mais sentido para o perfil do brasileiro.

Uma das principais coisas que considerei também foi a segurança e por isso pensei em shopping center. E então fomos tentando focar em alguma coisa mais fast casual e em como entregar uma pizza de alta qualidade, com preço justo e em um ambiente diferenciado. Eu jurei pra mim mesmo que eu nunca iria inventar moda demais, mas já estou inventando na forma de vender essa pizza aqui (risos). Eu vi que precisava de mais e que tinha oportunidade.

Como foi sua pesquisa de mercado, na prática?

Eu visitei algumas lojas e marcas de vários setores – não só de pizza, e procurei diferentes visuais e conceitos. Compramos equipamentos e, na fábrica que eu tinha da época da Youguland, ficamos testando pizza atrás de pizza, assim como a forma de fazer: calculando tempo, velocidade do processo para conseguir chegar a um patamar que fosse viável para atender “x” número de clientes que pudesse ter uma operação sustentável para shopping. E agora estamos indo para rua!

A Oven sempre foi planejada para ser uma franquia?

Não, depois da Youguland eu jurei que nunca mais mexeria com franquia na minha vida. Só que começamos a crescer e chegamos a quatro lojas próprias, começamos a ver dificuldade de se enquadrar em uma tributação fora do simples em pequenas lojas – o negócio começa a ficar quase não rentável. Eu vi que se franqueasse, o franqueado conseguiria ter mais sucesso e mais rentabilidade do que nós com a loja própria. Então, foi uma questão um pouco tributária e também de potencial de expansão da marca. Afinal, operar a distância não é fácil.

Como foram as sequências de abertura?

Abrimos uma loja, que foi primeiro uma de rua no Batel e depois a do Park Shopping Barigui, as duas em Curitiba. Mas, tivemos um problema com a de rua e renovação de alvará, porque era embaixo de um prédio, enquanto a loja de shopping estava indo muito bem. Decidimos então transferir a loja para o Shopping Curitiba. E agora vamos voltar para a rua com a 26ª loja.

A origem financeira foi própria?

Para as primeiras lojas, foi dinheiro próprio e tive um investidor, o Guilherme Bartel, fundador do Grupo NZN. Hoje ele não faz mais parte da sociedade, mas foi um investidor muito importante para o início.

Você sempre de viu ou imaginou no ramo de alimentação?

Não, nunca, não sei nem como eu estou aqui hoje (risos). Na verdade, foi uma coisa natural. Eu lembro que estava ali e um cliente abriu uma loja de frozen yogurt para a filha, bombou e eu pensei “nossa, o negócio está bombando, eu vou montar no Brasil” e aí entrei no setor. Por acaso, pela oportunidade de ter um negócio. Se fosse uma loja de tênis, poderia ser uma loja de tênis.

Para o empreendedor, quais são as principais oportunidades de abrir uma franquia da Oven?

Oferecemos a oportunidade que a pessoa venda uma pizza sensacional com preço justo na sua praça, um negócio pioneiro e diferente e que seja acessível para todos. Hoje estamos com um modelo de loja muito atrativo, até para lojas de rua (com custo de ocupação menor que shopping) e estamos organizando os focos para delivery. Lançamos também um modelo de loja mais compacta, que se chama box, com investimento a partir de R$200.000. Fazemos questão que nossos franqueados sejam operadores.

O universo das franquias

Quando abriu seu primeiro negócio, você já conhecia o ramo de franquia?

Não sabia nada de franquia. Querendo ou não, quando você quer empreender, sempre olha para franquia. Eu olhei para marcas, mas não sabia como fazer. Olhava o mapa das franqueadoras e um monte de pontinho pelo país e eu pensava: “um dia eu vou ter um negócio assim”. A franquia dá essa possibilidade e eu fui aprendendo. Quando abri a primeira loja, as pessoas vieram pedir para franquear. A Oven, eu neguei por mais de um ano, tanto é que começamos em 2014 e no final de 2016 que abriu a primeira franquia.

Como você enxerga a padronização das franquias?

A padronização é um pepino enorme, é um desafio. Nós temos pessoas em campo próximas ao franqueado, porque o processo de padronização não é só na ponta de operação, é também no back off. Afinal, se esse gestor não faz um controle financeiro adequado, ele começa a ter problema financeiro. E então, a primeira coisa que ele vai olhar é “esse queijo custa R$6, e esse custa R$5, então vou querer mudar porque esse é mais barato” e acaba entrando em um ciclo de problema que afeta a operação e qualidade. O modelo por si só é muito desafiador.

Qual seria o maior dos problemas?

O problema maior é o próprio atendimento do funcionário. No nosso modelo de negócio, o cliente tem uma série de contato com os funcionários, mais de um. Pode acontecer de encontrar alguém mau humor (tanto funcionário quanto cliente), ou uma falha porque escutou um ingrediente errado. Essa interação muito grande pode gerar um problema e isso afetar em tudo. O próprio franqueado também tem que seguir o processo padrão em si, como o desgelo de uma massa, por exemplo.

Além de um modelo de negócio diferente e que atende a diversos sonhos empreendedores, a franquia Oven também está com uma parceria com a Bcredi, para oferecer um crédito saudável para aqueles que desejam investir no seu segmento. Com o crédito com garantia de imóvel da Bcredi, o franqueado pode emprestar o dinheiro para abertura de seu negócio com condições especiais. Para entender na prática, é possível realizar uma simulação online no site: www.bcredi.com.br/franquias

Comentários (2)

    1. Isabella da Bcredi

      Obrigada, Ana! Ficamos muito feliz em saber que nosso conteúdo está impactando as pessoas positivamente. O que mais queremos é que os empresários consigam se inspirar e entender a importância da educação financeira na vida – profissional e pessoal.
      Se tiver qualquer ideia de post que queira ler por aqui, fique à vontade para nos sugerir. Abraços!

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